Oficina de Aprendizagem Ativa: a educação centrada no aluno

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Meu nome é Marize Lyra Silva Passos,  sou professora há mais de 20 anos no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), no Brasil. Minha relação com a Universidade Ciências Aplicadas de Häme (HAMK) na Finlândia iniciou-se em 2016 quando, durante três meses, participei da terceira edição do programa VET – Teachers for the Future Programme. Como parte deste programa realizei no Brasil o meu trabalho de desenvolvimento final com o objetivo consolidar e aplicar os conhecimentos adquiridos durante a etapa do programa que foi realizada na Finlândia.

A seguir farei uma breve descrição da atividade desenvolvida por mim nesta etapa, o planejamento e execução da Oficina de Aprendizagem Ativa: a educação centrada no aluno, que teve como objetivo compartilhar com outros professores a experiência vivida por mim na Universidade de HAMK, com o intuito de levá-los a refletirem sobre suas práticas docentes e fomentar iniciativas de ensino e aprendizagem centradas no aluno.

Esta oficina ocorreu no ano de 2016 no Centro de Referência em Formação e em Educação a Distância (Cefor) do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Brasil e, teve como foco atender a profissionais da educação, Ela ocorreu duração de 3 dias no mês de novembro de 2016.

A oficina baseou-se em ações práticas que permitiram a conexão entre a teoria e a prática, tornando-a dinâmica e valorizando os conhecimentos prévios dos alunos, que trabalharam de forma colaborativa. As discussões giraram em torno de problemas do cotidiano de sala de aula. Nela foi explorado o incentivo à criatividade, principalmente com o uso de atividades de brainstorming, que proporcionam um ambiente de aprendizagem significativa e foram, também, utilizadas diversas ferramentas digitais que possibilitaram a criação de espaços de interação e comunicação.

Com o objetivo de multiplicar a utilização de metodologias ativas no Centro de Referência em Formação e em Educação a Distância (Cefor) foram convidadas as professoras Isaura Alcina Martins Nobre e Jaqueline Maissiat para participarem do planejamento e execução desta oficina.

Equipe de execução e planejamento da oficina – da esquerda para a direita Isaura Nobre, Marize Passos e Jaqueline Maissiat (Foto: Marize Passos)

A seguir serão descritas as principais atividades realizadas durante a oficina.

Primeiro Dia

O primeiro dia teve como objetivo incentivar a discussão e reflexão sobre sobre o significado da aprendizagem ativa e foi feito uma breve introdução sobre a educação finlandesa.

No início da manhã foi apresentado um pequeno vídeo, produzido pela professora Paula Schlemper do Instituto Federal de Brasília (IFB), com um resumo sobre o período em que estivemos na Finlândia que teve o objetivo de contextualizar os alunos sobre a origem e proposta da oficina. Ainda neste período foi realizada uma atividade de Quebra-gelo para promover a integração entre os alunos. Esta atividade foi importante para o sucesso da oficina, pois, criar logo no início um clima de camaradagem entre os participantes.

Para tratar do tema central da oficina, aprendizagem ativa, foi utilizado o jogo “Following the Finn”, planejado para oferecer uma oportunidade de reflexão sobre práticas de ensino, baseadas no estilo de educação finlandesa. Ele foi  criado durante a primeira etapa do programa VET – Teachers for the Future Programme pelo professor  Antônio dos Santos Junior (Instituto Federal do Rondônia – IFRO) com a colaboração dos professores: Essi Ryymin (Universidade de Ciências Aplicadas de HAMK), Gabriel Guerreiro (Instituto Federal do Amazonas – IFAM), Rodrigo Alves (Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais – CEFET MG) e Rodrigo Rossi (Instituto Federal do Triângulo Mineiro – IFTM).

Jogo ““Following the Finn”
Alunos utilizando o jogo “Following the Finn” (Foto: Marize Passos)

Ainda no primeiro dia foram formadas as equipes, que trabalharam juntos durante todo a oficina. A criação das equipes teve como objetivo aumentar a interação entre os alunos e demonstrar a importância da colaboração durante o processo de aprendizagem.

Ainda neste dia, para auxiliar os alunos nos processos de reflexão e construção de conhecimentos,  foi a utilizado a metodologia World Café® ou Learning Café que é um tipo de tecnologia social que busca engajar as pessoas em comunicações significativas. Ao final desta tarefa as equipes apresentaram os resultados produzidos. Além disso foram criados grupos no WhatsApp e Facebook para registro das demonstrações dos resultados e para a troca de experiência durante e após a realização da oficina.

Resultados produzidos pelos alunos no primeiro dia da oficina (Foto: Marize Passos)

Segundo Dia

No segundo dia da oficina foi discutido e realizada reflexões sobre a aprendizagem centrada no aluno. Este dia começou com a realização de uma avaliação inicial sobre o tema aprendizagem centrada no aluno utilizando o aplicativo Padlet®. Após a apresentação dos conhecimentos prévios das equipes sobre o tema, foi aberto um momento para discussão e esclarecimentos sobre as dúvidas que os alunos apresentaram.

Para ajudar as equipes, no planejarem de uma atividade centrada no aluno para ser realizada em sala de aula, foi realizada uma sessão de Brainstorm na qual cada equipe deveria gerar em média 100 ideias de atividades. Neste momento, foi lembrado aos alunos, que eles não deveriam neste momento julgar as ideias, pois, todas as ideias são boas e qualquer ideia é bem-vinda. O elevado número de ideias a serem geradas pelos alunos teve como objetivo forçar as equipes a saírem de suas zonas de conforto. As melhores ideias, as mais originais, só irão começar a aparecer quando as ideias mais evidentes tiverem sido esgotadas. E, a partir deste ponto, que começa a aparecer a verdadeira criatividade.

Equipes utilizando o aplicativo Padlet® para a realização da avaliação inicial (Foto: Marize Passos)

Após a realização da sessão de Brainstorm, cada equipe selecionou 3 ideias e apresentou-las, ainda de forma incipiente, para todas as equipes. Durante esta fase os demais alunos puderam fazer perguntas e dar sugestões. Após esta apresentação, cada equipe reuniu-se novamente e decidiu qual das 3 ideias seria planejada mais detalhadamente.

Equipes apresentando algumas ideias propostas na sessão de Brainstorm (Foto: Marize Passos)

Ao final deste dia foi solicitado aos alunos que instalassem em seus aparelhos telefônicos ou computadores o aplicativo Kahoot!® que seria utilizado no dia seguinte.

Terceiro Dia

No último dia as equipes planejaram como poderiam realizar a atividade selecionada no dia anterior, sempre pensando no aluno como o centro do processo, além disso foi solicitado que eles tentassem incluir no seu planejamento as práticas vivenciadas durante o oficina bem como o planejamento de como avaliar a atividade com foco na avaliação formativa.

Este dia começou com os alunos assistindo o vídeoclip da música “Another Brick In The Wall” do grupo Pink Floyd. Após os alunos verem o vídeo, foi iniciada um pequeno debate sobre, do ponto de vista do grupo, quais as diferenças entre o ensino centrado no professor e centrado no aluno.

Como as equipes deveriam incluir em seu projeto como seria realizada a avaliação da atividade, iniciou-se um pequeno momento de debate sobre o que é a avaliação formativa. Para ajudar nesta tarefa foi utilizado o aplicativo Kahoot!®, no qual foram feitas algumas perguntas sobre alguns conceitos referentes a avaliação inicial, formativa e somativa. A realização desta atividade permitiu que além do debate sobre o tema avaliação fosse introduzidos alguns princípios sobre gamificação, o que oportunizou os alunos conhecerem o funciona do aplicativo Kahoot!®. Muitos dos alunos posteriormente relataram no grupo de WhatsApp que passaram a utilizar o aplicativo em suas aulas.

Alunos utilizando o aplicativo Kahoot!® (Foto: Marize Passos)

Após este momento cada equipe se reuniu para refinar o planejamento da atividade que foi selecionada após a sessão de Brainstorm do dia anterior. Após o planejamento foi utilizada a técnica dos seis chapéus do pensamento criada por Edward Bono. A técnica utiliza chapéus de seis cores diferentes, onde cada cor define o momento de se trabalhar uma determinada perspectivas sobre a ideia apresentada.

  • Chapéu Branco – quem usa este chapéu trabalha com perguntas e respostas factuais, observar a ideia sobre o ponto de vista dos fatos e dados;
  • Chapéu Vermelho – quem usa este chapéu deve dar palpites, repassar para o grupo que sentimentos a ideia passa a ele;
  • Chapéu Preto – quem o usa observar os pontos da ideia que merecem crítica ou explica porque não vai dar certo;
  • Chapéu Amarelo – quem o utiliza observa os pontos positivos da ideia, procura-se oportunidades e benefícios;
  • Chapéu Verde – que o usa deve apresentar melhorias para a ideia apresentada, faz sugestões, apresenta alternativas, a idéia para burilada;
  • Chapéu Azul – este é o é o chapéu da organização, quem o usa deve ter uma visão panorâmica, coordenada da ideia, ele é responsável por fazer o resgate do que foi dito.

Cada grupo escolheu um representante, que ficou com o chapéu azul, para apresentar o planejamento da atividade centrada no aluno.

Após a distribuição dos chapéus aos demais participantes do grupo, foram feitas duas rodadas de consultoria, na qual cada grupo apresentou sua ideia e os demais participantes, que de acordo com a cor do chapéu que estava usando analisou o projeto sobre uma perspectiva diferente, ou seja, fizerem perguntas, deram palpites, indicaram os pontos negativos, ressaltaram os pontos positivos, deram ideias de melhoria para o projeto. Esta técnica é capaz de auxiliar em uma vasta gama de situações em que se busca soluções para um problema ou para novos produtos e serviços.

Alunos utilizando a técnica dos seis chapéus do pensamento (Foto: Marize Passos)

Após estas rodadas de consultorias, os grupos se reuniram novamente e refletiram sobre sobre as sugestões recebidas durante a técnica dos seis chapéus e refinaram a proposta inicial de atividade. E, após esta atividade apresentaram para todos os participantes da oficina o seu planejamento final da atividade centrada no aluno para ser utilizada em sala de aula.

A final do dia, com o objetivo de realizar uma avaliação sobre os resultados da oficina, foram utilizadas figuras para que cada participante pudesse dizer o que a figura significava para ele em relação a sua aprendizagem durante a realização da oficina. Foi realizado também um questionário online de avaliação da oficina no qual os alunos escreveram 10 palavras que representavam para eles a aprendizagem centrada no aluno, com estas palavras foi construído a nuvem de palavras a seguir.

Nuvem de palavras, construída no aplicativo online WordArt®, a partir do questionário respondido pelos alunos da oficina..

Nesse questionário os alunos, também, tiveram a oportunidade de falar livremente sobre a oficina. A seguir uma das falas dos alunos que pode resumir a oficina em poucas palavras.

“A oficina oportunizou momentos extremamente alegres, desafiadores enfim,  de muito aprendizado.  O diferente faz a diferença! Sair do nosso lugar de conforto é necessário!” (fala de uma aluna da oficina)

Referências:

BROWN, J.; ISAACS, D. 2005. The World Café: shaping our futures through conversations that matter. San Francisco: Berrett-Koehler Publishers.

Marize Lyra Silva Passos
Professora Titular Instituto Federal do Espírito Santo, Brazil
Marize faz pós-doutorado na Universidade de Ciências Aplicada de Hamk.
e-mail: marize@ifes.edu.br

Full Professor at the Federal Institute of Espírito Santo, Brazil
Marize holds postdoctoral training at Häme University of Applied Sciences.
e-mail: marize1@hamk.fi

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